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capítulo 1 – homenageando os artistas do ateliê Engenho de Dentro


Caro Lula – Gostaríamos de apresentar uma obra de arte representativa e impactante de cada um dos primeiros (9?) artistas que trabalharam no Atelier sob a supervisão de Almirs entre 1946 e 1951. Abaixo, seguem algumas sugestões (não seleções finais) baseadas no material que encontrei no site e no texto de Lulla.

Adelina Gomes 

​(1916 – 1984)
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 Adelina era filha de camponeses, nasceu em 1916 na cidade de Campos, Estado do Rio de Janeiro. Fez o curso primário e aprendeu variados trabalhos manuais numa escola profissional. Aos 18 anos, apaixonou-se por um homem que não era aceito pela família. Tornou-se cada vez mais retraída, sendo internada em 1937, aos 21 anos.
Começou a freqüentar o ateliê de pintura em 1946. Inicialmente dedicou-se ao trabalho em barro, modelando figuras que impressionam pela sua semelhança com imagens datadas do período neolítico. Na sua pintura pode-se acompanhar passo a passo as incríveis metamorfoses vegetais que ela vivenciou.

Tornou-se uma pessoa dócil e simpática, produzindo com intensa força de expressão cerca de 17 mil e 500 obras. Adelina faleceu em 1984. Sua produção plástica, e as importantes pesquisas daí desenvolvidas pela Dra. Nise da Silveira ao longo de muitos anos, tornaram-se objeto de exposições, filmes, documentários e publicações.
​
​Almir Mavignier procurou na enfermaria alguém que tivesse habilidades artísticas “bom, tem uma mulher aí, que faz bonecas. Sim, mas ela é muito perigosa,  ela é muito agressiva, você está correndo risco de vida com ela”. Aquilo justamente me interessou e por quê? “ah, ela maltrata muito, dá surra nas colegas.” O enfermeiro mostrou as bonecas dela. E as bonecas dela me interessaram muito. Era Adelina. Então a vi, enorme, gorda, e todo mundo dizia “ela é agressiva”. Eu disse: bom, essa mulher precisa de uma pessoa, de uma gentileza, delicadeza, trato. Então eu vim buscar Adelina com um chapéu, a doutora Nise, talvez ela se lembre,  me viu de longe. Chovia. Eu trouxe Adelina protegendo-a com o chapéu, com guarda-chuva. Isso deve ter conquistado ela, essa coisa encantava, ela ria muito. Sentou no pátio, foi uma pérola, não era agressiva, nada, sempre trabalhou lá, ria muito e olhava, tinha um charme, tinha uma beleza interior muito grande. (Almir Mavignier)

​sugestão de obra
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alternativas

Arthur Amora

"Arthur Amora teve uma breve passagem pela Seção de Terapêutica Ocupacional no final da década de 1940 e não há maiores dados a seu respeito. Chegou ao ateliê desejando pintar, mas declarando que não sabia desenhar, então lhe foi proposto que buscasse um motivo que o interessasse. Descobriu uma caixa de dominós e copiou-os inteiramente. Depois começou a simplificá-los, abandonando os pontos, encobrindo as faixas brancas e pretas, rompendo os ângulos, encontrando curvas e criando estruturas de forte contraste óptico.

Considerava o branco e o preto como cores suficientes para seu trabalho. Porém, recusou-se a mostrar a seus parentes, pois temia ser considerado perigoso. Queria voltar para casa.
​

Suas composições foram realizadas entre os anos 1949 e 1951.
Na mesma época, grupos de pintores auto intitulados “concretos”, influenciados pela pintura “concreta” suíça – de caráter geométrico – discutiam no eixo Rio de Janeiro − São Paulo sobre quem seriam os protagonistas do movimento no Brasil.

Os trabalhos de Amora revelam um geometrismo consequente e livre de influências estrangeiras." (Almir Mavignier)
​sugestão de obra
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alternativas

​Abelardo Corrêa

 Nasceu em 1914 no Estado de Alagoas. Solteiro, curso ginasial incompleto, frequentou aulas de desenho no Liceu de Artes e Ofícios, e era desenhista de profissão. Aos 17 anos passou a dedicar-se a lutas de boxe conquistando vários títulos. Internado em 1949, permanece no hospital psiquiátrico de Engenho de Dentro até sua morte em 1982.

Diferentemente dos outros pintores, Abelardo não era um leigo, mas já uma espécie de artesão. Esse aprendizado lhe era uma arma a mais no seu viver, e generosamente lhe deu de oferecer os préstimos no mesmo ofício aos colegas internados. Não era de estranhar se Abelardo não fosse, como professor, modelo de paciência. Era de bondade, porém, que por vezes se exaltava.

Pintor, desenhista, mas o grande destaque de sua obra são, sem dúvida, suas modelagens produzidas num ateliê junto à natureza no hospital, que ele considerava sua casa.
​
Abelardo várias vezes retratou os frequentadores do ateliê de pintura, inclusive as crianças que participavam das diferentes atividades do serviço de terapia ocupacional entre 1946 e 47.
"O Abelardo era o nosso grande Visconde, era um pintor acadêmico. Um sujeito de uma grande autoridade, personalidade forte, orgulhoso, vaidoso. Prepotente, começa a mandar e sabia tudo. Ele saiba realmente truques de perspectiva, era nosso grande acadêmico. Ele resolveu também trabalhar com crianças. Apanhava algumas crianças no hospital infantil. Tive muita dificuldade com o Abelardo porque ele queria ensinar as crianças a pintar em perspectiva. E se as crianças não faziam o que ele queria, então dava conflitos enormes." (Almir Mavignier)
​sugestão de obra
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Carlos Pertuis

(1910 – 1977)
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Carlos nasceu no Rio de Janeiro, em 1910. Tinha uma natureza sensível e religiosa. Com a morte do pai, deixou de estudar e foi trabalhar numa fábrica de sapatos.

Certa manhã, raios de sol incidiram sobre um pequeno espelho de seu quarto: brilho extraordinário deslumbrou-o, e surgiu diante de seus olhos numa visão cósmica - "O Planetário de Deus", segundo suas palavras. Gritou, chamou a família, queria que todos vissem também aquela maravilha que ele estava vendo. Foi internado no mesmo dia no Hospital da Praia Vermelha em setembro de 1939.

Nove anos depois dessa experiência veio freqüentar o ateliê da Seção de Terapêutica Ocupacional onde pintou uma imagem cujo centro é uma flor de ouro. Carlos desceu vertiginosamente à esfera das imagens arquetípicas, dos deuses, dos demônios. Produziu com intensidade cerca de 21 mil e 500 trabalhos - desenhos, pinturas, modelagens, xilogravuras, escritos - até sua morte em 1977.
​
"O Carlos descobri no hospital onde ele estava internado quando perguntei aos enfermeiros se tem alguém pintando. “É, tem um louco aqui que enche caixas de sapatos cheias de papel  higiênico, embaixo da cama dele, com coisas estranhas”. Era o Carlos Pertuis. Então o enfermeiro disse: “os senhores não me tirem ele porque ele trabalha aqui, é muito bom, eficiente”. Então eu vi as caixas com desenhos fabulosos em papel higiênico, variações de frutas se transformando em caras, coisas geométricas. Eu fiz de um desses trabalhos um cartaz para uma exposição em Zurique." (Almir Mavignier)

​sugestão de obra
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alternativas

Emygdio de Barros

(1895 – 1986)
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Nasceu em 1895 no estado do Rio de Janeiro. Fez o curso técnico de torneiro mecânico e ingressou no Arsenal da Marinha. Destacando-se pela qualidade de seu trabalho, foi designado para fazer um curso de aperfeiçoamento na França, onde permaneceu durante dois anos.

Em 1924 foi internado no Hospital da Praia Vermelha. Emygdio começou a freqüentar o ateliê da Seção de Terapêutica Ocupacional em 1947. Seu trabalho atinge desde o início alto nível artístico, revelando talento incomum. Suas obras desde logo foram aceitas no mundo da arte. 

​Freqüentou regularmente o Museu de Imagens do Inconsciente, até o seu falecimento em 5 de maio de 1986, aos 92 anos. Deixou no acervo do Museu um legado de cerca de 3.300 obras.

"Já na primeira aquarela feita por Emygdio, acho que me identifiquei com as cores, vi realmente que se tratava de um pintor muito semelhante ao impressionismo. Quanto mais o Emygdio trabalhava, mais eu ficava seduzido pelo trabalho dele.  Estava ali, diante de uma personalidade muito importante, isso psicologicamente pra mim se reduziu a tal ponto que eu era um escravo daquilo... quer dizer, eu não era um pintor, eu não sabia nem se eu ia ser pintor ou não... eu via a importância daquele pintor, em relação a mim. Todo material que eu comprava pra mim, comprava para o Emygdio. .. Pintava vivências anteriores, visualizando motivos que se sucediam de um lado a outro da tela. Depois retocava as imagens e repintava-as uma sobre as outras." Almir Mavignier

A Revelação do Inconsciente


"O primeiro contato que tive com os artistas do Centro Psiquiátrico do Engenho de Dentro, ocorreu em 1948, por intermédio de Almir Mavignier, e teve para mim importante e surpreendente desdobramento. De um lado a recepção carinhosa da doutora Nise da Silveira, apresentado-me os artistas e seus trabalhos, ao mesmo tempo que explicava o espírito e a filosofia de sua atuação; do outro, minha absoluta perplexidade diante daquilo que estava presenciando. Foi um impacto que demoliu minhas ideias e convicções em relação à arte.
Embora tivesse apenas 20 anos de idade, considerava-me um artista consciente, coerente e seguro daquilo que fazia. A confiança em meu aprendizado e atuação durante quatro anos num ateliê livre de artes plásticas estava desmoronando. A coerência estava com Diniz, com Carlos, com Emygdio; a poesia, com Raphael, com Isaac. Fundiam-se imagem e linguagem. Os elementos determinantes da figura e da cor não obedeciam a critérios escolares de composição, sendo na verdade regidos por códigos outros, relacionados a forças poderosas advindas do inconsciente, códigos esses que viriam a ser exaustivamente estudados e decifrados pela doutora Nise.
A partir daí, desencadeei pesquisas e experiências no campo da luz e do movimento, visando a resultados estéticos fora dos padrões usuais e das técnicas consagradas." Abraham Palatnik



​sugestão de obra
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alternativas

Fernando Diniz

(1918 – 1999)
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Nasceu em Aratu, Bahia, em 1918. Aos 4 anos de idade veio para o Rio de Janeiro com sua mãe que era excelente costureira. Desde garoto o sonho de Fernando era estudar para ser engenheiro. Inteligente, foi sempre o primeiro aluno da classe. Chegou até o primeiro ano científico, mas abandonou os estudos.
Em 1944 teve sua primeira internação sob alegação por estar nadando despido na praia de Copacabana. Em 1949 começa a freqüentar a Seção de Terapêutica Ocupacional. Em sua obra mescla o figurativo e o abstrato, abarcando das mais simples às mais complexas estruturas de composição. 

Sua produção no museu é estimada em cerca de 30 mil obras: telas, desenhos, tapetes, modelagens. O reconhecimento do seu trabalho veio através de exposições no Brasil e no exterior, publicações, filmes e vídeos. Fernando morreu em 5 de março de 1999.

"Fiquei um ano com o seu Almir, fui apanhando as coisas. Passou um tempo ele já estava sorrindo. Ele gostava muito dos alunos dele: Isaac, Adelina, Carlos, Raphael, Brasil, Geraldo, Quintanilha, Alicia. Só gostava daqueles alunos, aí eu cheguei assim: “tá sobrando”, daí ele ficou muito amigo – “chega mais rapaz! Aqui ninguém é dono, aqui é público”, e tudo ali ele que comprava. “olha, meu ateliê é aqui, vem ver meu quadro, todo mundo é dono. Ganho os maiores prêmios, vocês também podem ganhar prêmios”. - E você, gostava do seu Almir? - “bom, só sorriso já é tudo pra mim, se não fosse o monitor, não tinha as organizações, eles que arrumavam tudo. Seu Almir dizia que pintura também era profissão, ele era professor. No fim do ano de 1951 Seu Almir foi viajar, foi ser professor de uma universidade na Alemanha, uma coisa muito boa também." (Fernando Diniz)


​sugestão de obra
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Isaac Liberato

(1906 – 1966)
Isaac foi o único filho de um velho e rico negociante. Aos 19 anos, realizando um sonho de menino, ingressou na Marinha Mercante como radiotelegrafista, fazendo inúmeras viagens nas rotas internacionais.
Em 1946, começou a frequentar o recém-inaugurado ateliê de pintura do Museu.

Isaac era sempre o primeiro a chegar e procurava logo o material para iniciar seus trabalhos, demonstrando grande interesse e prazer em pintar, principalmente telas a óleo.

Desde o início, suas pinturas já prenunciavam o desenvolvimento artístico que ele alcançaria ao longo do tempo. Entre as diversas temáticas que aparecem em sua pintura, destacam-se as paisagens de intenso colorido que tendem à abstração e a figura da mulher amada sob diferentes formas. Segundo o crítico de arte Marcio Doctors, “Isaac nos oferece paisagens que alternam zonas de cores tranquilas e extensas com cores que se precipitam em zonas em que o pincel se agita de forma rápida, criando uma composição que é igual às forças da natureza. A precisão de Isaac nasce de um mergulho na sua interioridade”.

"Vi uma velhinha lá, sempre com ele, uma velhinha atrás dele [mãe], e ele uma vez entrou e sentou ao piano, e foi tocar música, uma música maravilhosa, impressionista, ria e começou a fazer umas pinceladas, era o Isaac." Almir Mavignier

O museu ainda possui alguma pintura anterior a 1951?

alternativas – mas depois da epoca do almir :-(

Raphael Domingues

(1913 – 1979)
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Raphael nasceu em 1913, no Estado de São Paulo. Aos 13 anos ingressou no Liceu Literário Português, onde estudou desenho acadêmico. Era um menino tímido, sensível, retraído. 

Aos 19 anos de idade foi internado no Hospital da Praia Vermelha. Em 1946 começou a freqüentar o ateliê de pintura da Seção de Terapêutica Ocupacional. O prazer de desenhar num ambiente onde era tratado como pessoa querida, despertou em Raphael insuspeitadas manifestações de força criadora. Seus desenhos atingiram alta qualidade artística. 
​
Participou de diversas exposições coletivas e individuais, no Brasil e no exterior. Desenhou no ateliê de pintura até julho de 1979, morrendo em novembro do mesmo ano.  

​Raphael, hábil desenhista, foi encaminhado para lá porque vivia garatujando na enfermaria onde vivia. Era o único que havia estudado desenho antes da internação, embora seus desenhos daquela época fossem mais acadêmicos. Quando chegou ao ateliê, seus desenhos reproduziam as estruturas, livres de associações naturalistas. Um dia contrariando a prática de não influenciar a produção artística dos frequentadores do ateliê, alguém sugeriu que pintasse um cavalo. E ele imediatamente desenhou o animal. Esse acaso levou-nos a tentar estabelecer um contato entre seu mundo interior e o nosso, incentivando-o a buscar outros modelos do mundo exterior. Assim, fomos vendo nascer no papel naturezas mortas e vivas, objetos, plantas e figuras humanas, como as meninas vizinhas, sua mãe, o crítico Mário Pedrosa, o poeta Murilo Mendes e os pintores Abraham Palatnik e Ivan Serpa que iam vê-lo desenhar.

"Eu arrumava as naturezas mortas, dispunha todos os objetos ali e dizia pro Raphael “faz o que você vê”. Isso é tinteiro, tinta de nanquim. Isso aqui é minha mão. Eu disse “olha Raphael, que bonito” e puxei e ele fez imediatamente a minha mão." (Almir Mavignier)

suggestão das obras

alternativas

Lucio Noeman

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Nasceu em 1915. Com pouca instrução formal, era dotado de grande habilidade, fazendo trabalhos em madeira que surpreendiam a família. Nunca estudou desenho nem modelagem.
Em 1948, começou a frequentar os ateliês do museu, optando pela modelagem. Trabalhava com visível prazer, ficando horas absorvido em sua atividade. Produziu obras de notável qualidade artística, a maioria representando, segundo ele, guerreiros empenhados na luta entre o bem e o mal.
Em 1949 participou da exposição 9 Artistas de Engenho de Dentro, no Museu de Arte Moderna de São Paulo.

(Enquanto realizava-se a mostra em São Paulo, um dos participantes da exposição era lobotomizado no Rio de Janeiro. Apesar do reconhecimento artístico de suas esculturas e da luta empreendida pela psiquiatra Nise da Silveira, opondo-se a essa conduta clínica, Lúcio foi lobotomizado e sua criação artística entrou em colapso.

Nise da Silveira escreveu posteriormente um artigo sobre a desagregação da personalidade de Lúcio e a degeneração de sua criatividade artística. Mais dois frequentadores do ateliê de pintura foram lobotomizados: Laura e Anderson. Os estudos comparativos de Silveira sobre a produção plástica antes e depois da lobotomia foram citados por Iracy Doyle no artigo “Egas Moniz e o espírito do tempo”; por Robert Volmat no livro L’art psychopathologique e no artigo “La création et la lobotomie” (Melo Junior, 2005, pp. 106-7, passim).
​
suggestão da obra
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Vicente

Depois apareceu também o Vicente que fez aquela pintura a guache,  uma cachoeira, as pessoas tomando banho,  uma cena que ele realmente presenciou na Bahia. Eu vi que ele tinha a possibilidade como pintor, que era a minha vantagem ali, eu como pintor podia já prever, e sentia que ele podia fazer pintura.  Então eu dei um muro enorme pra ele, e disse assim: faça o que você quiser. E ele respondeu: bom, eu posso fazer uma pintura, eu faço assim, faço a estrutura ai, e os desenhos todos – e fez – e agora o senhor diga a esses que chamam de artistas ai, qual a cor que eu quero para aquela parte, qual a cor que eu quero para aquela outra parte, eu dirijo eles.

Wilson Nascimento

Nasceu no Rio de Janeiro em 1930. Com instrução primária incompleta. Teve uma breve passagem no atelier de pintura do final de 1946. Sua produção logo chamou a atenção pela qualidade estética e suas obras foram expostas numa exposição organizada no Ministério de Educação e Saúde (Edifício Palácio Gustavo Capanema) ganhando um prêmio conferido pela Associação Brasileira de Imprensa. Também participou de outras exposições, dentre elas “9 artistas de Engenho de Dentro”, realizada no Museu de Arte Moderna de São Paulo em 1949.
Existam obras de 46-50?


Almir Mavignier

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Também vamos exibir pinturas de Almir criadas no ateliê. 

​O Início do Ateliê de Pintura (text mavignier)
Rio de Janeiro

Foi o serviço diário de 10 a 15 horas que me levou como pintor a trabalhar no Centro Psiquiátrico Nacional do Engenho de Dentro, de 1946 até novembro de 1951. É sobre esse período que escrevo aqui.

A minha função no hospital era a de acalmar doentes agitados. O diretor Paulo Elejalde, porém, me encarregou de realizar projetos para jardins.

Durante uma exposição de trabalhos manuais do serviço de praxiterapia, propus a sua diretora, Nise da Silveira, organizar um ateliê de pintura para os internados. A idéia veio de encontro a um antigo projeto seu.

O ateliê foi inaugurado no dia 9 de setembro de 1946. Estava organizado nas salas de um edificio central, situado entre quatro hospitais vizinhos, dos quais os internados eram conduzidos diariamente para pintar, trabalhando das 10h às 14h30.

Não era arte, senão terapia, que se buscava. Eu, como pintor, e não come psiquiatra, estava, porém, interessado nos artistas a descobrir, procurando-os nos pátios e nas enfermarias dos hospitais.
Encontrei assim Adelina Gomes, Carlos Pertuis, Fernando Diniz, Lacio e Raphael Domingues. Outros internados andavam livres, entravam no ateliê e participavam, como Abelardo, Isaac Liberato e Arthur.

O meu préprio ateliê foi instalado no hospital, correspondendo à necessidade de colocar um pintor e não um guarda vigilante para dirigir a seção. Não havia aulas, senão conselhos técnicos, como água para aquarela e terebintina para óleo. Não havia reproduções ou revistas de arte, a fim de preservar a projeção de imagens do inconsciente. Os pintores trabalhavam profundamente concentrados, o que os afastava das Influências reciprocas. O trabalho diário contribuiu para a melhora técnica das pinturas.

RAPHAEL PESSOALMENTE

Conheci o Raphael internado no hospital e o externado em casa. No ateliê do hospital, era introvertido e triste. Em sua casa, alegre e brincalhão, escondendo a chave da casa, o que sua mãe sabia e tolerava.

Nas sessões de desenho gesticulava no ar, baixava a pena e deixava linhas sobre o papel como vestígio dos gestos. Durante esse ritual, parava e falava. Uma vez se dirigiu a Mário Pedrosa, advertindo: “Tire o pezinho da cadeira”, ao que Mário imediatamente obedeceu.

Por outra ocasião, conduziu a pena em direção à mão de Mário, fazendo um ponto na unha.

Sua mãe, pessoa simples, paciente e agradecida pelo interesse das visitas, nunca pôde compreender os elogios aos desenhos, que considerava “escalafobéticos”, o que significa desajeitados, desengonçados ou estrambólicos.

Como expressão de agradecimento pelo trabalho, ofereceu várias vezes desenhos belíssimos como presente, que eu “dolorosamente” depositei na coleção do atelié no hospital.
RAPHAEL E EMYGDIO
Raphael dissociava
Raphael intitulava “Flausi-flausi”.
Raphael era solicitado para assinar.
Raphael trabalhava comigo.
​Raphael projetava suas estruturas automaticamente.
​Raphael aprendeu a terminar, jogando a folha do desenho e aprendeu a separar as vivéncias em diferentes telas.
Raphael parou de desenhar depois da minha viagem
Emygdio associava.
Emygdio intitulava “Universal”.
Emygdio assinava espontaneamente.
Emygdio trabalhava sozinho.
Emygdio projetava suas vivéncias conscientemente.
Emygdio pintou até morrer.






Organizei o atelié do Centro Psiquiatrico como pintor. Pude, portanto, reconhecer o talento do internado para pintar, pela sua sensibilidade ao misturar cores.

Os primeiros quadros de Emygdio assinalaram esse talento, o que justificou Ihe comprar material a fim de realizasse grandes telas. Eu o assistia respeitando cua
liberdade de criação.

A experiéncia do ateliê mostrou as fontes de criação que se encontram dentro, e nao fora do artista. Esse conhecimento influenciou o meu trabalho, fazendo-me realizar uma pintura experimental e não comercial.
O ateliê influenciou também a minha atividade pedagógica, no sentido de ajudar jovens artistas a encontrar a sua própria personalidade. Esse conceito me orientou como professor de pintura na escola de Belas Artes em Hamburgo, de 1965 até 1990.

Os artistas do ateliê pintavam projetando imagens do trabalhavam como estudantes das inconsciente. Não trabalhavam como estudantes de Belas Artes, que se encontram ligados a uma arte tradicional. Essa tradição se deixa reconhecer como “arte do consciente”, denominação que uso para representar a família internacional de artistas.

Os pintores do Engenho de Dentro não pertenciam a essa família. Suas obras fazem  descobrir, na história da arte moderna do Brasil, um grupo de artistas incomparaveis, porque não foram influenciados por tendências estrangeiras.

Almir Mavignier, Hamburgo 6 julho 1998

​Todas as obras acima juntas

​Lulla, por favor, se possível, mostre essas obras originais (a obra do Almir esta em Hamburgo) a Flavio e Guilherme. Eles podem querer escolher outras. O importante seria selecionar apenas obras do período em que Almir esteve no ateliê. (Também seria interessante de ter alguns fotos para imprimir formato grande na mostra.)
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