capítulo 1 – homenageando os artistas do ateliê Engenho de Dentro
Caro Lula – Gostaríamos de apresentar uma obra de arte representativa e impactante de cada um dos primeiros (9?) artistas que trabalharam no Atelier sob a supervisão de Almirs entre 1946 e 1951. Abaixo, seguem algumas sugestões (não seleções finais) baseadas no material que encontrei no site e no texto de Lulla.
Adelina Gomes
Arthur Amora
|
"Arthur Amora teve uma breve passagem pela Seção de Terapêutica Ocupacional no final da década de 1940 e não há maiores dados a seu respeito. Chegou ao ateliê desejando pintar, mas declarando que não sabia desenhar, então lhe foi proposto que buscasse um motivo que o interessasse. Descobriu uma caixa de dominós e copiou-os inteiramente. Depois começou a simplificá-los, abandonando os pontos, encobrindo as faixas brancas e pretas, rompendo os ângulos, encontrando curvas e criando estruturas de forte contraste óptico.
Considerava o branco e o preto como cores suficientes para seu trabalho. Porém, recusou-se a mostrar a seus parentes, pois temia ser considerado perigoso. Queria voltar para casa. Suas composições foram realizadas entre os anos 1949 e 1951. Na mesma época, grupos de pintores auto intitulados “concretos”, influenciados pela pintura “concreta” suíça – de caráter geométrico – discutiam no eixo Rio de Janeiro − São Paulo sobre quem seriam os protagonistas do movimento no Brasil. Os trabalhos de Amora revelam um geometrismo consequente e livre de influências estrangeiras." (Almir Mavignier) |
sugestão de obra
alternativas
|
Abelardo Corrêa
|
Nasceu em 1914 no Estado de Alagoas. Solteiro, curso ginasial incompleto, frequentou aulas de desenho no Liceu de Artes e Ofícios, e era desenhista de profissão. Aos 17 anos passou a dedicar-se a lutas de boxe conquistando vários títulos. Internado em 1949, permanece no hospital psiquiátrico de Engenho de Dentro até sua morte em 1982.
Diferentemente dos outros pintores, Abelardo não era um leigo, mas já uma espécie de artesão. Esse aprendizado lhe era uma arma a mais no seu viver, e generosamente lhe deu de oferecer os préstimos no mesmo ofício aos colegas internados. Não era de estranhar se Abelardo não fosse, como professor, modelo de paciência. Era de bondade, porém, que por vezes se exaltava. Pintor, desenhista, mas o grande destaque de sua obra são, sem dúvida, suas modelagens produzidas num ateliê junto à natureza no hospital, que ele considerava sua casa. Abelardo várias vezes retratou os frequentadores do ateliê de pintura, inclusive as crianças que participavam das diferentes atividades do serviço de terapia ocupacional entre 1946 e 47. "O Abelardo era o nosso grande Visconde, era um pintor acadêmico. Um sujeito de uma grande autoridade, personalidade forte, orgulhoso, vaidoso. Prepotente, começa a mandar e sabia tudo. Ele saiba realmente truques de perspectiva, era nosso grande acadêmico. Ele resolveu também trabalhar com crianças. Apanhava algumas crianças no hospital infantil. Tive muita dificuldade com o Abelardo porque ele queria ensinar as crianças a pintar em perspectiva. E se as crianças não faziam o que ele queria, então dava conflitos enormes." (Almir Mavignier)
|
sugestão de obra
alternativas
|
Carlos Pertuis
(1910 – 1977)
Emygdio de Barros
(1895 – 1986)
Fernando Diniz
(1918 – 1999)
Isaac Liberato
(1906 – 1966)
|
Isaac foi o único filho de um velho e rico negociante. Aos 19 anos, realizando um sonho de menino, ingressou na Marinha Mercante como radiotelegrafista, fazendo inúmeras viagens nas rotas internacionais.
Em 1946, começou a frequentar o recém-inaugurado ateliê de pintura do Museu. Isaac era sempre o primeiro a chegar e procurava logo o material para iniciar seus trabalhos, demonstrando grande interesse e prazer em pintar, principalmente telas a óleo. Desde o início, suas pinturas já prenunciavam o desenvolvimento artístico que ele alcançaria ao longo do tempo. Entre as diversas temáticas que aparecem em sua pintura, destacam-se as paisagens de intenso colorido que tendem à abstração e a figura da mulher amada sob diferentes formas. Segundo o crítico de arte Marcio Doctors, “Isaac nos oferece paisagens que alternam zonas de cores tranquilas e extensas com cores que se precipitam em zonas em que o pincel se agita de forma rápida, criando uma composição que é igual às forças da natureza. A precisão de Isaac nasce de um mergulho na sua interioridade”. "Vi uma velhinha lá, sempre com ele, uma velhinha atrás dele [mãe], e ele uma vez entrou e sentou ao piano, e foi tocar música, uma música maravilhosa, impressionista, ria e começou a fazer umas pinceladas, era o Isaac." Almir Mavignier |
O museu ainda possui alguma pintura anterior a 1951?
alternativas – mas depois da epoca do almir :-(
|
Raphael Domingues
(1913 – 1979)
Lucio Noeman
Vicente
|
Depois apareceu também o Vicente que fez aquela pintura a guache, uma cachoeira, as pessoas tomando banho, uma cena que ele realmente presenciou na Bahia. Eu vi que ele tinha a possibilidade como pintor, que era a minha vantagem ali, eu como pintor podia já prever, e sentia que ele podia fazer pintura. Então eu dei um muro enorme pra ele, e disse assim: faça o que você quiser. E ele respondeu: bom, eu posso fazer uma pintura, eu faço assim, faço a estrutura ai, e os desenhos todos – e fez – e agora o senhor diga a esses que chamam de artistas ai, qual a cor que eu quero para aquela parte, qual a cor que eu quero para aquela outra parte, eu dirijo eles.
|
Wilson Nascimento
|
Nasceu no Rio de Janeiro em 1930. Com instrução primária incompleta. Teve uma breve passagem no atelier de pintura do final de 1946. Sua produção logo chamou a atenção pela qualidade estética e suas obras foram expostas numa exposição organizada no Ministério de Educação e Saúde (Edifício Palácio Gustavo Capanema) ganhando um prêmio conferido pela Associação Brasileira de Imprensa. Também participou de outras exposições, dentre elas “9 artistas de Engenho de Dentro”, realizada no Museu de Arte Moderna de São Paulo em 1949.
|
Existam obras de 46-50?
|







































